Frade capuchinho, confessor e místico
23 de setembro
Século XIX–XX (1887–1968)
25 de maio de 1887 · Pietrelcina, Itália
23 de setembro de 1968 · San Giovanni Rotondo
Frade capuchinho italiano do século XX, portador dos estigmas por cerca de 50 anos, conhecido por horas de confissão e por uma vida de intensa oração e caridade.
Francesco Forgione ingressou na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos e foi ordenado sacerdote em 1910. Em 1918, no convento de San Giovanni Rotondo, recebeu os estigmas da Paixão de Cristo, que permaneceriam visíveis em suas mãos, pés e no peito por cerca de cinquenta anos. Dedicou a vida à celebração da missa, a longas horas de confissões e à fundação da "Casa Sollievo della Sofferenza", um hospital para aliviar o sofrimento dos doentes.
São Pio de Pietrelcina (1887–1968) viveu imerso nas contradições de um século XX marcado por duas guerras mundiais, pela rápida modernização e por intensas controvérsias dentro da própria Igreja. Nascido Francesco Forgione em Pietrelcina, no sul da Itália, cresceu em uma família camponesa extremamente humilde e analfabeta, ingressando jovem na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos. A maior parte de sua vida transcorreu no isolado convento de San Giovanni Rotondo, nas montanhas de Gargano. Foi ali que Padre Pio se tornou o centro de um fenômeno que atraiu multidões de todas as partes do mundo: os estigmas — marcas físicas nas mãos, pés e tórax que sangravam continuamente — e a reputação de possuir dons extraordinários. No entanto, longe do sensacionalismo, sua rotina diária era marcada por um esgotamento físico extremo, passando até dezesseis horas diárias trancado no confessionário, escutando as dores, os dramas e os remorsos de milhares de peregrinos. A visibilidade do Padre Pio provocou uma reação feroz dentro da hierarquia eclesiástica. Suspeito de fraude, fanaticismo ou histeria, ele foi submetido a rigorosas investigações médicas e secretas pelo Vaticano. Durante anos, sofreu sanções severas: foi proibido de celebrar missas em público, de atender confissões e de se comunicar com o mundo exterior. Sua postura diante desse longo período de isolamento e desconfiança não foi de rebeldia nem de busca por status, mas de uma obediência dolorosa e silenciosa às ordens dos seus superiores. Sensível à miséria da população local, Padre Pio idealizou e promoveu a construção do Casa Sollievo della Sofferenza (Casa Alívio do Sofrimento), que se tornou um dos hospitais mais modernos e equipados da Itália. Ele insistia que os doentes deveriam receber não apenas a melhor medicina técnica disponível, mas também um atendimento impregnado de carinho e dignidade humana. Padre Pio faleceu em 1968, consumido por décadas de sofrimento físico e espiritual, deixando a memória de um homem que transformou suas próprias feridas e as incompreensões de seu tempo em uma busca incessante por oferecer consolo aos aflitos.
Canonizado em 16 de junho de 2002 pelo Papa João Paulo II.
Fica comigo, Senhor, porque é necessário ter-Vos presente para que eu não Vos esqueça. Sabeis quão facilmente eu Vos abandono. Fica comigo, Senhor, porque sou fraco e preciso de Vossa força, para que eu não caia tantas vezes. Amém.
San Giovanni Rotondo, Itália