20 de março
Séc. III — XII d.C.
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Venerado(a) pela Igreja Católica, com celebração em 20 de março.
Pessoa santa cadastrada na tradição da Igreja Católica que viveu uma vida de heroica virtude evangélica, piedade cristã profunda e sacrifício espiritual. Dedicou seus dias à oração contemplativa, ao auxílio fraterno aos necessitados da região e ao testemunho inabalável da fé perante os desafios do seu tempo.
São Cutberto de Lindisfarne (c. 634 – 687 d.C.) é um dos santos mais queridos e fascinantes da história da Grã-Bretanha. Sua trajetória começou de forma muito simples: ele era apenas um jovem pastor cuidando de ovelhas nas colinas de Lammermuir, no sudeste da Escócia. A história conta que, em uma noite de 651, enquanto olhava o céu, ele teve uma visão de uma luz radiante e de anjos levando uma alma para os céus. Mais tarde, descobriu que, naquela exata noite, São Aidano, o lendário bispo de Lindisfarne, havia falecido. Impressionado, o jovem decidiu abandonar a vida no campo e entrar para o mosteiro de Melrose. Ao longo da vida, Cutberto ganhou a fama de ser alguém incrivelmente acessível e humano. Ele não era o tipo de monge que ficava trancado estudando em uma biblioteca; adorava caminhar a pé ou viajar a cavalo pelas aldeias mais remotas e montanhosas da região. Falava a língua do povo simples, escutava suas dores com paciência, consolava os doentes e pregava com uma empatia que conquistava qualquer um. Apesar de seu amor pelas pessoas, Cutberto também sentia uma necessidade profunda de momentos de silêncio e oração em solitude. Ele acabou se retirando para viver como eremita nas Ilhas Farne, um local isolado e açoitado pelo vento no Mar do Norte. Ali, desenvolveu uma ligação especial e famosa com a natureza e com os animais. A tradição popular conta que os eiders (uma espécie de pato marinho da região) buscavam proteção perto de sua cabana, o que fez com que Cutberto criasse leis de proteção para as aves da ilha — consideradas por muitos uma das primeiras leis de conservação ambiental da história. Mesmo contra sua vontade inicial, sua fama de santidade fez com que fosse nomeado bispo de Lindisfarne em 685. Ele aceitou a missão por dever, mas continuou mantendo a mesma simplicidade e dedicação aos pobres de sempre. Sentindo que sua morte se aproximava, renunciou ao bispado e retornou à sua amada ilha em Farne, onde faleceu pacificamente em 687. Seu corpo foi sepultado na Catedral de Durham, que se tornou um dos maiores centros de peregrinação de toda a Europa medieval.