16 de outubro
Séc. III — XII d.C.
Data desconhecida
Data desconhecida · tradicionalmente como mártir
Venerado(a) pela Igreja Católica, com celebração em 16 de outubro.
Pessoa santa cadastrada na tradição da Igreja Católica que viveu uma vida de heroica virtude evangélica, piedade cristã profunda e sacrifício espiritual. Dedicou seus dias à oração contemplativa, ao auxílio fraterno aos necessitados da região e ao testemunho inabalável da fé perante os desafios do seu tempo.
São Longuinho (século I) é uma das figuras mais fascinantes da tradição cristã, ocupando um lugar único na memória popular exatamente por ter sido um homem comum em um dos momentos mais sombrios e tensos da história. Segundo a tradição, ele era o centurião romano — um soldado de carreira, calejado pela disciplina e pelo rigor do exército imperial — designado para liderar o grupo de execução no Calvário. Sua rotina como soldado em uma província rebelde e conflagrada como a Judeia devia ser dura e brutal. Ele não estava ali por motivos espirituais, mas por dever militar. No entanto, ao testemunhar a postura de Jesus na cruz, a dignidade de sua dor e os fenômenos naturais que se seguiram ao momento de sua morte, a coraça do soldado desmoronou. Toma-se do Evangelho o momento em que esse oficial romano profere a frase histórica: "Verdadeiramente este homem era Filho de Deus". A tradição apócrifa adiciona um detalhe profundamente humano: Longuinho sofria de um problema grave de visão ou de catarata que foi curado quando um respingo de sangue e água atingiu seus olhos ao perfurar o lado de Cristo com sua lança. Aquela experiência no Golgota transformou completamente a sua vida. O que faz de Longuinho alguém tão autêntico é o fato de que ele não pôde mais continuar servindo a uma engrenagem imperial que julgava e matava inocentes. Ele abandonou o exército romano, deixou para trás a estabilidade de sua carreira militar, o salário de centurião e o prestígio com as autoridades regionais. Retirou-se para a Capadócia, sua terra natal, onde passou a viver como um homem simples, pregando a mensagem de paz e reconciliação que aprendera aos pés da cruz. Perseguido pelas próprias autoridades romanas por deserção e por sua nova fé, Longuinho manteve-se firme, recusando-se a renegar o que tinha visto com os próprios olhos, até ser martirizado. Na religiosidade popular, a imagem daquele soldado rústico e cego que "voltou a enxergar" fez dele o santo protetor a quem as pessoas recorrem com carinho nas aflições mais cotidianas da vida.