28 de setembro
Séc. IV — XVII d.C.
c. 1594 · Manila, Filipinas
29 de setembro de 1637 · Nagasaki, Japão
Venerado(a) pela Igreja Católica, com celebração em 28 de setembro.
Zeloso pastor e Bispo sagrado da Igreja que pastoreou seu rebanho com amor paternal, promovendo a sã doutrina e a assistência aos desvalidos. Enfrentou invasões bárbaras, controvérsias teológicas profundas e perseguições de governantes, deixando um legado eterno de santidade e firmeza.
São Lourenço Ruiz e Companheiros (falecidos entre 1633 e 1637) enfrentaram a implacável máquina repressiva do xogunato Tokugawa no Japão feudal, um período de xenofobia extrema e caça sistemática a minorias religiosas e dissidentes políticos. Lourenço Ruiz, um homem de origem humilde nascido em Manila — filho de pai chinês e mãe filipina —, trabalhava como escriturário e calígrafo até ser falsamente acusado de homicídio pelas autoridades coloniais locais. Para escapar de um sistema judicial corrupto e parcial, embarcou em uma missão para o Japão sem imaginar que o país fechava as fronteiras e executava estrangeiros e cristãos locais de forma sumária. Ao desembarcar em Okinawa e Nagasaki, Lourenço e seu grupo de companheiros — compostos por missionários dominicanos de várias origens e leigos locais — foram imediatamente caçados pela polícia do xogune. Eles foram jogados nos calabouços mais sombrios da Inquisição japonesa, onde sofreram torturas psicológicas e físicas indescritíveis destinadas a forçá-los a renegar publicamente suas crenças e a entregar redes subterrâneas de apoio. Apesar do sofrimento atroz, incluindo o método de tortura conhecido como tsurushi (suspensão de cabeça para baixo em fossas de excrementos), Lourenço manteve-se irredutível até o fim, declarando corajosamente perante os inquisidores que daria a vida mil vezes antes de trair sua consciência. Ele e seus companheiros foram executados após dias de agonia em 1637, simbolizando a resistência humana contra o terror totalitário do Estado.